parque central e sul

águas claras | 2017

A interpretação da realidade do contexto se apresenta como um grande desafio. Confrontamo-nos com uma região: que mesmo estando em rápido desenvolvimento e expansão, não tem sido capaz de consolidar uma identidade local; que recebe um importante eixo de transporte público, mas se encontra segmentada espacialmente pelo trajeto do metrô; que sofre tanto com alagamentos quanto com a falta de corpos d’água; que apesar de já possuir uma grande cobertura verde em seu Parque Ecológico, ainda possui em seu núcleo problemas de qualidade do espaço urbano.

A partir dessa compreensão, pretende-se potencializar o caráter urbano dos parques, tornando-os capazes de impactar positivamente não somente a região central de Águas Claras Vertical, mas sim todo o seu entorno. Se propõe, como resposta: a incorporação do trajeto do metrô à dinâmica urbana do parque e da região, estendendo a abrangência do parque para além de seu entorno imediato; a criação, em pontos específicos, de espaços únicos e interessantes que contribuam para a identidade local; a recuperação do sistema ambiental da região, resgatando a relação com a água e a memória dos córregos aterrados, criando também áreas de contenção de chuvas.

Entender o caráter de um Parque Urbano, em oposição ao de um Parque Ecológico, também significa compreender de que maneira a vegetação e os espaços naturais podem fazer parte da dinâmica da cidade. Aqui, as espécies vegetais assumem uma forte relação com o espaço urbano, tanto na escala da região – amenizando as temperaturas, níveis de ruído e qualidade do ar – quanto na escala do pedestre – gerando sombra, conformando espaço e criando também áreas de estar contemplativo e sensorial.

A vegetação do Cerrado, especialmente, se constitui como parte de um bioma que, apesar de rico, sofreu grandes impactos da ocupação humana. Assim, propõe-se recuperá-lo abundantemente, com a inserção de espécies de grandes variedades tipológicas, reconhecendo a riqueza da flora local.

Espacialmente, os tipos arbóreos foram trabalhados em gradiente, concentrando espécies de maior porte junto às avenidas e espécies ornamentais e de menor porte junto aos boulevares, consolidando a distribuição da vegetação como principal mapeamento de sombras.

 

Ficha Técnica

Equipe de Projeto: Alexandre Kenji, Vitor Takahashi, Daniela Moro, Gabriel Tomich, Mariana Gusmão, Thalita Souza

Localização: Águas Claras, DF - Brasil

Área de abrangência: 18,6 hectares

Ano: 2017
Premiação: Menção Honrosa em Concurso Nacional de Projetos