plano de urbanização pôr do sol

ceilândia | 2017

O Projeto de Urbanismo e Arquitetura para o novo setor habitacional do Pôr-do-Sol pretende consolidar novas lógicas de planejamento e desenho urbano, focadas no elemento humano, onde a mobilidade, as tipologias edilícias, os espaços livres atendam as necessidades básicas dos moradores de uma cidade diversa e acessível. Por se tratar de uma borda urbana ocupada por população de menor renda, o projeto objetiva o desenho de um ambiente urbano que propicie o desenvolvimento transformacional e sustentável. Diante do exposto, o projeto adotou as seguintes diretrizes para elaboração da proposta:

 

a.  Atendimento de uma demanda municipal e local por espaços livres de uso público, com boa oferta de equipamentos que promovam a sociabilização, o lazer e o esporte.

b.  Consolidação de um sistema de mobilidade que privilegie os deslocamentos de pedestres e de modais não motorizados, assim como a sua conexão com o transporte coletivo e individual.

c.   Distribuição de espaços coletivos de diferentes tipos e escalas, sejam eles públicos ou privados, que possibilitem uma maior vitalidade urbana.

d. Proposição de uma paisagem diversificada através de diferentes tipologias arquitetônicas e suas relações com o espaço público.

e. Transformação do novo setor habitacional em uma “frente urbana”, gerando uma área de amortecimento entre o espaço urbano e a ARIE JK.

 

SISTEMA DE ESPAÇOS LIVRES

 

O sistema de espaços livres é composto por vias, praças, largos de pedestres e o parque, gerando uma malha acessível e humanizada, conectando os equipamentos da gleba e do entorno e servindo de base para os deslocamentos diários dos habitantes. A arborização promove o sombreamento dos percursos, tão importante na condição climática do Distrito Federal.

 

A Praça cívica que marca o acesso principal através da via P5 Sul à nova urbanização, de caráter multifuncional, pode se prestar para manifestações políticas, religiosas, artísticas e culturais.

 

A introdução dos largos de pedestres que possibilitam a convivência e a recreação para atender a demanda de lazer e ócio nas áreas mais adensadas da gleba. Em sua interseção com as vias de vizinhança, conformam-se nós urbanos que concentram fluxos dos diferentes modais, usos e atividades. Estes tornam-se praças intersticiais  atendidas por comércios e serviços, gerando assim espaços de convergência das trocas, da celebração, do aprendizado, da vida, o lugar que resume a ideia de cidade.

 

A implantação do parque do Pôr-do-Sol na borda do novo setor habitacional tem como objetivo atender a ­uma de­manda municipal e local por espaços livres de uso público, com boa oferta de equipamentos, que promovam a sociabilização, o lazer e o esporte. Seu desenho pretende criar uma área de amortecimento entre o espaço urbano e a área de preservação da ARIE JK.  Ao longo deste, é criado um circuito de contemplação e de caminhada esportiva que conforma essa transição, onde reentrâncias do parque permitem um maior contato dos habitantes com a área de preservação, e reproduzem uma paisagem típica do cerrado restrito com sua vegetação retorcida e irregular.

MOBILIDADE

 

O sistema de espaços livres são projetados de modo a introduzir uma nova lógica de mobilidade não motorizada. O sistema viário objetiva integrar-se da melhor forma possível com o sistema consolidado, dando continuidade às vias de vizinhança com comércio e serviço implantados nas fachadas frontais térreas dos edifícios. Nestas vias existem bolsões de estacionamento, arborização viária e bancos. Estas vias principais delimitam  unidades de vizinhança, compostas por um conjunto de quadras habitacionais, onde as vias são locais e compartilhadas pelos diferentes modais. Nestas, o canteiro central diminui a velocidade de circulação de veículos e permite o estacionamento de veículos.

 

Além destas, a via parque conforma a borda do Parque Pôr-do-Sol, e também apresenta o caráter de circulação lenta de veículos, conformando uma via segura para a circulação e travessia dos pedestres.

 

SETORIZAÇÃO E DENSIDADES

 

As áreas de confluência, localizadas no encontro das vias principais de Ceilândia, foram identificadas como zonas de grande vitalidade, concentrando pontos de transporte coletivo e de comércio e serviços. A setorização adotada busca reproduzir espaços de vitalidade urbana através da implantação de fachadas ativas comerciais ao longo das vias de vizinhança, especialmente nos encontro destas vias principais com os largos de pedestre. Estes largos dão suporte à apropriação da via pública pelas atividades que ali acontecem, através dos usos comerciais, equipamentos de esporte e lazer, contemplação e espaços de estar.

 

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

 

A convivência mútua de diferentes atividades, pessoas e usos é o que dá sentido à ideia de cidade. Dessa forma, buscou-se criar uma paisagem diversificada através da mescla de diferentes usos, tipologias e gabaritos dos edifícios. Para suprir a demanda por habitação, foram propostos edifícios de uso misto, edifícios multifamiliares e residências unifamiliares térreas, atingindo assim as quantidades máximas de unidades exigidas pelo edital de 1.315 unidades habitacionais para a Zona A e 203 para a Zona B, totalizando 1.518 unidades.

 

No interior do edifícios propõe-se a criação de espaços coletivos apropriados ao encontro e convívio, além de possibilitar a boa ventilação dos ambientes internos, priorizar a iluminação natural e gerar áreas de sombreamento.

 

São propostas unidades habitacionais de 2 e 3 quartos, atendendo a demanda de famílias de diferentes condições socioeconômicas e composições. As unidades destinadas a portadores de necessidades especiais encontram-se nos pavimentos térreos, atendendo ao percentual exigido pela legislação, ainda que todas as unidades propostas sejam adaptáveis para PNE.

 

EQUIPAMENTOS PÚBLICOS COMUNITÁRIOS (EPCs)

 

Os usos institucionais propostos são implantaos ao longo de um eixo institucional e também da Via Parque, conformando um circuito com os equipamentos existentes no entorno, e conectados pelo sistema de mobilidade. Seu total perpassa o mínimo de 5% da gleba estabelecido em edital. Além da Escola Modelo e do Centro de Ensino médio, foram propostos uma uma Unidade Básica de Saúde e uma cozinha com horta comunitárias.

 

Ficha Técnica

Equipe de Projeto: Alexandre Kenji, Vitor Takahashi, Augusto Oliveira, Felipe Sanquetta, Leonardo Venâncio, Marcelo Miotto.

Localização: Ceilândia, DF - Brasil

Área de abrangência: 41,93 hectares - 1315 unidades habitacionais

Ano: 2017
Premiação: Segundo lugar em Concurso Nacional de Projetos